Relatório do dia · 3 de setembro de 2026
Hoje um mecanismo passou a trocar de sessão sozinho quando a memória de um assistente de IA enche. Quatro trocas reais aconteceram, sem uma pessoa na frente do computador.
Um assistente de IA guarda toda a conversa em uma memória de trabalho chamada contexto. Essa memória é medida em tokens. Uma palavra comum vale de um a três tokens.
Quando o contexto passa de 200 mil tokens, o assistente fica mais lento e erra mais. Até ontem, a solução exigia uma pessoa. A pessoa pedia um resumo do trabalho, apagava a conversa e colava o resumo em uma conversa nova. Se ninguém estava por perto, o trabalho parava.
O objetivo: tarefas longas rodam por horas ou dias sem que o dono precise estar no computador para reiniciar a conversa.
Um programa pequeno, chamado vigia, olha todas as sessões de IA abertas a cada 10 segundos. Quando uma sessão passa do limite, o vigia executa a sequência abaixo. A ordem importa. Cada passo só começa depois que o anterior é confirmado.
Se o vigia cair no meio da sequência, ele grava em que passo estava. Ao voltar, ele continua daquele passo. Ele nunca repete o pedido de handoff nem a limpeza da mesma troca. Isso foi testado de propósito hoje, matando o processo entre os passos 4 e 5.
Foram quatro trocas completas. As duas primeiras foram testes com uma sessão criada para isso, com limite baixado para 80 mil tokens. As duas últimas foram em sessões reais de trabalho, com o limite de produção de 200 mil.
Tokens no contexto da sessão. A sessão nova começa com cerca de 55 mil tokens, porque carrega as instruções fixas do sistema mais o handoff.
Horários em UTC. Nos testes o limite foi baixado para 80 mil tokens para acelerar. No teste 1 o limite foi cruzado por três vezes em um só turno, porque o assistente leu seis arquivos grandes de uma vez.
Segundos entre o momento em que o vigia detecta o limite e o momento em que a sessão nova recebe a missão.
O teste 2 demorou porque o assistente estava no meio de uma tarefa e o pedido de handoff ficou na fila até a tarefa acabar. Depois desse teste, o vigia ganhou uma interrupção educada: ele aperta a tecla Esc no terminal do assistente, o que faz o pedido rodar na hora. As duas trocas de produção usaram essa interrupção.
| Troca | Hora (UTC) | Sessão | Antes | Depois | Handoff | Troca inteira | Resultado |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Teste 1 | 15:46 | sessão de teste, parada | 243.772 | 55.526 | 41 s | 1 min 33 s | Retomou e respondeu certo. Queda simulada do vigia entre os passos 4 e 5: retomou sem repetir nada. |
| Teste 2 | 15:52 | sessão de teste, em turno | 81.741 | 55.816 | 2 min 27 s | 2 min 29 s | Retomou e respondeu certo. Pedido esperou o turno acabar. |
| Produção 1 | 16:33 | chat de trabalho real | 223.438 | 53.111 | 42 s | 55 s | Retomou a missão real. Primeira troca com a interrupção por Esc. |
| Produção 2 | 16:49 | chat que escreve este relatório | 201.445 | 54.290 | 35 s | 42 s | Retomou a missão real. Este relatório foi escrito pela sessão nova. |
As regras abaixo foram decididas pelo dono e valem para toda troca.
Uma regra foi removida hoje a pedido do dono. O vigia não espera mais o assistente ficar ocioso. Ao cruzar o limite, o pedido de handoff vai na hora, mesmo com tarefa em andamento. O dono observou no dia a dia que apagar a conversa não mata tarefas em segundo plano, então essa guarda saiu do desenho.
Às 16:16 uma sessão real com 747 mil tokens recebeu o pedido de handoff. O handoff foi escrito. A limpeza travou porque a caixa de texto tinha um caractere solto digitado. Depois de dois minutos o vigia desistiu e mostrou a notificação de aborto.
A correção mudou o comportamento. Caixa de texto ocupada não faz mais o vigia desistir. Ele guarda o estado e tenta a limpeza a cada ciclo até a caixa esvaziar. Também nasceu a interrupção por Esc descrita acima, e uma guarda que impede o vigia de tocar uma sessão que já está escrevendo um handoff.